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Cheiro de Terra Molhada

SAUDADE E LEMBRANÇAS
Autor: Tânia Ledo

Cheiro de Terra Molhada
 
 
 
Hoje estou tendo a oportunidade de ver e sentir algo que me remete a minha querida Itiúba, onde passei minha infância e adolescência, está  sol e deu uma pequena chuva agora, " casamento da raposa," termo usado por lá, mais o que mais me sensibilizou, foi um cheiro de terra molhada, algo que era pra mim uma sinalização de que eu estava chegando a Itiúba quando ia de férias ,  impressionante, apesar de ser uma terra seca pelo sol que bate quase que o ano inteiro,  eu sentia esse cheiro que me alegrava muito, não  sei explicar, o certo é  que senti isso da minha varanda e me emocionei muito  hoje.
Após  essa sensação  gostosa, comecei refletir   sobre o nosso sertão e a nossa caatinga que continuam com muita seca, consequentemente, com desmatamento por essas e outras razões ,  embora tenha total respeito por nossa floresta amazônica que também está muito maltratada, apesar de ser debatida e falada pela imprensa e autoridades brasileiras e estrangeiras, me entristece ver que o mesmo não  ocorre com a nossa catinga, com o nosso sertanejo tão sofrido,  eu tenho moral pra falar,  pois senti na pele o que era ficar na fila pra conseguir uma lata dágua, sim, carreguei água na cabeça, óbvio que atualmente tem outras alternativas dentro das pequenas cidades, mas... quem mora na roça ainda sofre com a seca, com certeza, em pleno século XXI! , é  inaceitável, o sertanejo não  merece isso, é  um povo resistente que apesar de todas essas mazelas, vivem sorrindo, tocando sanfona, cantando e rezando, olhando pra o céu, na esperança que caia uma chuvinha mesmo que pouca e continuam plantando e acreditando que vão colher algo para sua sobrevivência  em suas casas muitas vezes de taipa , essa é  a realidade.

 

 
 

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